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Saliva X Bactéria causadora do Câncer de Estômago

Alguns trabalhos científicos sustentam a importância da cavidade bucal como sendo um reservatório do Helicobacter pylori – a bactéria causadora de lesões estomacais e duodenais

  • O que é Helicobacter pylori?

É uma bactéria que causa inflamação crônica (gastrite) no estômago humano. Esta bactéria também é a maior causadora de úlceras estomacais. A infecção pelo Helicobacter pylori é mais provavelmente adquirida pela ingestão de água e alimentos contaminados e também pelo contato interpessoal. Nos Estados Unidos, 30% da população adulta está infectada por esta bactéria, sendo que 50% dessa população encontram-se com mais de 60 anos. Esta infecção é mais comum em condições de aglomerados populacionais com pobres condições sanitárias. Verifica-se em países subdesenvolvidos que até 90% da população pode estar contaminada. O indivíduo contaminado necessita de tratamento medicamentoso para erradicar a bactéria. Sabe-se que 1 de cada 6 pacientes contaminados desenvolve úlcera duodenal ou estomacal. O Helicobacter pylori também está associado ao câncer estomacal e a um tipo raro de tumor linficítico do estômago – Linfoma MALT.

  • Verifica-se clinicamente que muitos pacientes submetidos ao tratamento para erradicação desta bactéria apresentam recidivas. Poderíamos supor que a falta de um tratamento bucal associado ao sistêmico seria o responsável pelas recidivas freqüentes?

Não se pode afirmar ainda que o tratamento bucal concomitante ao sistêmico garantiria sucesso absoluto, porém deve-se dar importância às condições bucais conforme veremos na publicação científica abaixo:

 

Molde de Distribuição Característica do H. pylori na Placa Dental e Saliva Detectado com PCR

Q. Song, T. Lange, A. Spahr, G. Adler, G. Bode
Departments of Internal Medicine I and Conservative Dentistry, Periodontology and Pedodontics, University of Ulm, Ulm, Germany

O modo preciso de transmissão e o reservatório natural do H. pylori são desconhecidos. As análises com PCR têm provado ser altamente sensíveis e específicas e são consideradas como método de escolha para detecção de DNA do H. pylori na cavidade oral. O objetivo desse estudo foi investigar a prevalência e distribuição do H.pylori na cavidade oral. Quarenta e dois pacientes foram submetidos à grastroscopia e investigou-se a presença de H. pylori na placa dental e saliva pelo PCR, e no estômago pelo teste respiratório de 13C-urea. As amostras testadas continham placas bacterianas de molares, pré-molares, incisivos e saliva. Foram usadas para o PCR dois conjuntos de bases homólogas para o fragmento 860-pb de DNA de H. pylori, as quais foram previamente mostradas como sendo altamente sensíveis e específicas. Onze pacientes (26,2%) estavam infectados com H. pylori no estômago e o DNA de H. pylori foi identificado em amostras de placa de 41 pacientes (97%) e em 23 amostras de saliva (55%). A prevalência na placa dental de molares, pré-molares e incisivos era 82%, 64% e 59%, com razão de propabilidade de 3.18, 1.24, e 1 (referência), respectivamente. Concluindo, o H. pylori estava presente na cavidade oral de 97% dos pacientes testados, com uma distribuição característica que era independente do estado infeccioso do estômago. Dessa maneira, conclui-se que o H. pylori pode pertencer à microflora oral.

Introdução:

A infecção por H.pylori é uma das infecções mais comuns nos homens. A infecção foi amplamente aceita como uma causa importante da gastrite e está fortemente associada à úlcera dispéptica e câncer do estômago. Mesmo com numerosos estudos, a hipótese de que a cavidade oral possa ser um reservatório viável e permanente de H. pylori ainda é controverso. Além de que, os estudos falharam em mostrar o risco crescente de infecção pelo H. pylori nos dentistas. Contudo, este achado pode sustentar o fato de que a infecção pelo H. pylori é predominantemente adquirido na primeira infância.

Estudos que empregaram métodos de cultura podem ter subestimado a prevalência do H. pylori na cavidade oral. Talvez em função da presença viável, mas não cultivável de microrganismos coccus H. pylori. Por conta disso, realizou-se análises com PCR por ter sensibilidade muito maior. Entretanto, os resultados são controversos e a detecção do H. pylori saltaram de 0% para 100% por causa do uso de diferentes bases de PCR com amostras de diferentes grupos de pacientes. Como estes resultados não estão de acordo com o índice de prevalência de infecção estomacal por H. pylori, é questionável se eles representam a prevalência real desses microrganismos na cavidade oral humana ou são artefatos de métodos aplicados. Um estudo recente demonstrou que diferentes tipos de bases tinham diferentes limites de detecção e especificidade de adesão do H. pylori à placa dental ou saliva, e bases que direcionavam 860-bp de fragmento de DNA de H. pylori mostrou uma sensibilidade e especificidade bem maiores quando comparadas às bases direcionadas à 16S genes de rRNA ou ao gene A urease.

Isto tem mostrado que diferentes sítios anatômicos da cavidade oral favorecem diferentes espécies bacterianas. Uma preferência intra-oral de habitat não tem sido identificada para o H. pylori. Entretanto, este estudo investigou a prevalência do H. pylori em amostras de placa dental de diferentes áreas (molar, pré-molar e incisivo) e saliva.

DISCUSSÃO

Os resultados do presente estudo mostraram que o H. pylori está presente na maioria das amostras de placa dental, independente do estado da infecção estomacal. Este é o primeiro relato que indica tal prevalência alta em países desenvolvidos. Resultados similares foram relatados em países desenvolvidos; porém, a maioria dos estudos publicados previamente de países desenvolvidos mostrou índices de detecção menores. Um estudo de Banatvala et al. em pacientes que realizaram endoscopia numa clínica em Londres, demonstrou uma correlação de 63% entre a presença de H. pylori no estômago e na placa dental(15). Bases com sensibilidades e especificidades diferentes de diferentes grupos de pacientes podem ser os responsáveis por essas discrepâncias. As bases EHC-U/EHC-L e seus alvos de 860-pb de DNA usados neste estudo demonstraram ser altamente sensíveis e específicas para o H. pylori (6,26). Um estudo recente mostrou que o PCR aumenta a sensibilidade e especificidade, e que bases ligadas `a 860-pb de DNA de H. pylori eram mais sensíveis e específicas para o H. pylori aderidos à placa dental e saliva que as bases ligadas ao gene A urease ou ao gene 16S d rRNA(20). Análise única com PCR com as bases de EHC-U/EHC-L e 40 ciclos de amplificação detectaram cinco células de H. pylori aderidas à saliva ou à placa dental(20). Em contrapartida, outros relatam que o limite de detecção é de 10-100 células de H.pylori cultivados (6,8,27,28). A possibilidade de falso positivo é muito improvável no estudo presente, porque cuidados consideráveis foram tomados para prevenir a contaminação, como foi descrito por Kwok e Higuchi (23). O alto índice de detecção do presente estudo pode sustentar a suposição de que o H. pylori pertence à flora normal da cavidade oral humana. No entanto, como o método de PCR usado detecta apenas uma parte do DNA de H. pylori, o número absoluto viável de H. pylori possa ser baixo.

Ao todo, 55% dos pacientes do presente estudo, foram positivos para DNA de H. pylori, um valor similar ao encontrado por Li et al que encontrou DNA de H. pylori em 59% dos pacientes com a mesma base(6). Além disso, Li et al verificaram que os indivíduos com infecção gástrica por H. pylori tinham uma prevalência maior de H. pylori na saliva que aqueles sem a infecção(6). Entretanto, a diferença não era estatisticamente significante no presente estudo. Recentemente, Yiang et al relataram resultados similares(29). Eles verificaram que todas as amostras de saliva de cinco pacientes negativos para o H. pylori no estômago, eram positivos para o DNA de H. pylori com PCR altamente específico.

Nguyen et al. descobriram que a distribuição de H. pylori na cavidade oral não era uniforme. Eles pegaram duas amostras de placa dental de dois sítios diferentes em cada paciente, mas detectaram o H. pylori somente em uma amostra(12).

Os resultados do presente estudo confirmam um molde específico de distribuição para o H. pylori na cavidade oral, com uma prevalência mais alta nas placas dos molares do que nos pré-molares ou incisivos. Esta distribuição vai de encontro com a característica micro-aerofílica do H. pylori. Teoricamente, a exposição ao oxigênio decresce gradualmente dos incisivos para os molares, favorecendo a sua proliferação na região de molares. A composição da placa varia de sítio para sítio e em resposta a várias influências orais. Similarmente, o crescimento do H. pylori na cavidade oral pode sofrer influência de vários fatores, como temperatura, pH, potencial de oxi-redução, disponibilidade de nutrientes, fluxo salivar e substâncias antimicrobianas (30,31). Cada fator pode influenciar na seleção natural dos microorganismos numa dada região e favorecer o crescimento de uma comunidade bacteriana com uma composição característica (32). Contudo, parece ser importante coletar amostras de placa de diferentes sítios na cavidade oral.

Não se sabe o porquê de apenas um pequeno número de pacientes que possui H. pylori na cavidade oral apresentar infecção ativa no estômago. Este estudo baseou-se apenas em pacientes adultos. Como a infecção por H. pylori é adquirida principalmente na infância (33), e como o número de H. pylori na boca de adultos é muito baixo, isto não parece ser um risco significante para o próprio hospedeiro (34,35). De acordo com estudos recentes, parece ser provável que uma mãe infectada atua no papel principal na transmissão do H. pylori para sua criança, possivelmente pela saliva (36). Uma transmissão similar boca-boca de mãe para filho tem sido demonstrada para o Streptococcus mutans e para o Actinobacillus actinomycetemcomitans (37,38). No entanto, os fatores responsáveis pelo comportamento do crescimento típico e o molde de colonização do H. pylori na cavidade oral ainda têm de ser definido.

Concluindo, o H. pylori estava presente com sua distribuição característica na cavidade oral de quase todos os indivíduos estudados, sugerindo que o H. pylori possa pertencer à microflora normal da cavidade oral do adulto. Parece não haver correlação entre a prevalência do H. pylori nas amostras de placa dental de diferentes locais da cavidade oral e saliva com infecções estomacais em pacientes adultos. Estudos adicionais deverão investigar essas associações em crianças.

 

 

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