Síndrome de Sjögren

   O que é a Síndrome de Sjögren                                                  

 

Apresentação:

A Síndrome de Sjögren é uma doença auto-imune descrita pela primeira vez em 1933 pelo oftalmologista sueco Henrik Sjögren. Nesta síndrome o sistema imunológico do corpo tem como alvo principal às glândulas produtoras de muco (fluidos) destacando-se as glândulas salivares e lacrimais. Este ataque promove uma reação inflamatória que causa destruição dos tecidos ou prejudica seu funcionamento adequado. No Brasil não se dispõe de uma base de dados confiável sobre o exato número de portadores da Síndrome de Sjögren, porém esta Síndrome é uma das mais prevalentes desordens auto-imune que acomete de 2 a 4 milhões de americanos.

A idade média inicial é após os 40 anos, sendo que nove entre dez pacientes são mulheres.
Entretanto, a Síndrome de Sjögren pode ocorrer em todas as faixas etárias e em ambos os sexos.

Acreditamos que a falta de um diagnóstico precoce fez com que esta faixa etária prevalecesse nos levantamentos epidemiológicos realizados, pois temos observado em nossa prática clínica uma grande ocorrência numa faixa etária menor.
Durante avaliação criteriosa, realizando-se avaliação dos padrões salivares e levantamento do histórico médico- odontológico confirma-se a existência da Síndrome de Sjögren. Ou seja, a atuação do cirurgião dentista no diagnóstico precoce da doença é de extrema importância, pois assim estaremos promovendo juntamente com os profissionais da classe médica uma melhora na qualidade de vida dessas pessoas.

Causas

A causa ou causas específicas da Síndrome de Sjögren não são conhecidas, mas múltiplos fatores provavelmente estão envolvidos, dentre os quais os genéticos, viróticos, hormonais ou suas interações.

Algumas vezes há casos desta síndrome na família, porém é mais comum encontramos históricos de outras doenças auto-imunes , como: lúpus eritematoso sistêmico, tireoidite de Hashimoto, diabetes juvenil, artrite reumatóide, etc.

Lembramos que são muitas as causas da secura bucal, porém nesta síndrome iremos observar que a secura bucal estará acompanhada de secura ocular causando a xerostomia e a xeroftalmia – este quadro caracteriza a Síndrome de Sjögen primária. Quando vier acompanhada de distúrbios do tecido conjuntivo será denominada de Síndrome de Sjögen secundária. Ou seja, quando a Síndrome de Sjögren ocorre de forma isolada, sem a presença de outra doença de tecido conjuntivo, é chamada de Sjögren Primária. Quando os sintomas de Sjögren são acompanhados de uma doença do tecido conjuntivo como artrite reumatóide, lupus ou esclerodermia, caracteriza Sjögren Secundária.

O termo secundária não implica que a primária é mais importante que a secundária. Aproximadamente metade das pessoas acometida pela Síndrome de Sjögren apresenta a forma primária e a outra metade a forma secundária.

Indivíduos com Síndrome de Sjögren Primária têm problemas mais sérios de secura nos olhos e boca. E o aumento das glândulas ao redor da face, mandíbulas e pescoço pode ser mais freqüente. Entretanto, embora não seja comum, outras glândulas do corpo podem ser comprometidas, como por exemplo: as glândulas do trato respiratório e da vagina causando infecções pulmonares e dores durante as relações sexuais.

Sinais e Sintomas

Os sintomas podem estabilizar, piorar ou entrar em remissão. Enquanto algumas pessoas apresentam suaves sintomas, outras sofrem com sintomas debilitantes que prejudicam notavelmente sua qualidade de vida. Porém, a falta de saliva estará sempre presente e o portador deverá receber atenção especial de profissionais que conheçam esta Síndrome para que se minimizar os danos bucais decorrentes da Síndrome de Sjögren.

Repercussões Bucais
Função/local Sinais / Sintomas
Saliva Grossa, pegajosa, espumosa. Presença de infecções por fungos
Lábios Secos / fissuras.Irritações nos cantos dos lábios. (queilite angular)
Língua Queimação, ápera, seca, dolorida, vermelhidão, fissuras
Mucosa das Bochechas Secas, com placas brancas
Glândulas Salivares Glândulas próximas ao ouvido e/ou mandíbula inchadas e doloridas
Mastigação Dificuldade para mastigar alimentos secos; dificuldade em se adaptar a próteses removíveis (dentaduras)
Gustação/Olfação Alteradas, sensação de mau hálito
Mucosa bucal Ulcerações (aftas); dor, sensibilidade aos alimentos ácidos, salgados e condimentados
Dentes Aumento da incidência de lesões de cárie, restaurações manchadas, perda dentária
Gengivas Inflamadas e retraídas
Fala Dificuldade para articular as palavras
Auto limpeza bucal Muito prejudicada, favorecendo maior retenção dos alimentos, bactérias e células descamadas
Sede Toma água com maior freqüência, principalmente quando está comendo; necessidade de ter água ao lado da cama durante a noite

Comumente, os sintomas orais estão associados com outras manifestações sistêmicas de secura:

Repercussões Sistêmicas
Função/local Sinais / Sintomas
Nariz Secura, formação freqüente de crostas, sangramento nasal, formação de muco espesso e decréscimo da olfação
Olhos Secura, queimação, formigamento, coceira, sensação de areia nos olhos; as pálpebras se grudam; fotossensibilidade, visão embaçada
Pele Secura; vermelhidão tipo "asa de borboleta" na face; sensibilidade maior ao frio, mudança na cor, especialmente nos dedos (Fenômeno de Raynaud)
Trato gastrintestinal Constipação; refluxo; esofagite e problemas na deglutição
Garganta irritação freqüente, sensação de algo parado
Sistema Respiratório Tosse seca; dificuldade respiratória
Articulações Artrite reumatóide; inchaço, dor, enrijecimento, vermelhidão
Vagina secura; coceira, sensação de queimação, infecções recorrentes por fungos, dificuldade durante o ato sexual
Sintomas gerais Fatiga, fraqueza, perda de peso, depressão
Distúrbio do sono Devido ao ressecamento da orofaringe, o indivíduo acorda várias vezes à noite para tomar água e urinar

Diagnóstico

O diagnóstico e tratamento precoce são importantes para prevenir complicações e a atuação do cirurgião dentista na realização deste diagnóstico é de extrema importância, pois a secura da boca poderá ser um dos primeiros sintomas desta doença. Nossa equipe segue os critérios de diagnóstico do preconizado durante o 1º. Simpósio Multidisciplinar sobre a Síndrome de Sjögren da Sociedade de Reumatologia do Rio de Janeiro, onde deverão estar presentes 2 sintomas cardinais da Síndrome: olhos secos e boca seca e mais 4 exames positivos:

  1. Presença persistente e diária de xeroftalmia por mais de 3 meses. Sensação de areia nos olhos ou uso de colírios que substituam a lágrima mais de 3 vezes ao dia.
  2. Sensação de xerostomia por mais de 3 meses. Presença de inchaço persistente ou recorrente das glândulas salivares por mais de 3 meses. Ingestão freqüente de líquidos para auxiliar a deglutição de alimentos secos.
  3. Positividade de pelo menos 1 dos testes: de Schirmer (< 5mm em 5 minutos) e do Rosa de Bengala (>4).

         
  4. Características histológicas positivas na biópsia de glândulas salivares menores.
  5. Envolvimento da glândula salivar em pelo menos 1 dos seguintes exames:
    1. Cintilografia salivar;
    2. Sialografia de parótida;
    3. Sialometria não estimulad.
  6. Presença de pelo menos um dos auto-anticorpos:
    1. anti SSA ou SSB
    2. Fator anti-núcleo
    3. Fator reumatóide

Será descartada a possibilidade desta Síndrome, caso o paciente se apresente com:

  1. Histórico de radioterapia na cabeça e pescoço
  2. Hepatite C
  3. Linfoma e sarcoidose
  4. Doença de enxerto X hospedeiro
  5. Uso de medicamentos anticolinérgicos
  6. Síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA)


Tratamento:

Ressaltamos que o diagnóstico e a intervenção precoces podem alterar o curso da doença e que o tipo de tratamento varia conforme o grau de comprometimento das glândulas salivares. O paciente deverá sempre ser assistido tanto pelo cirurgião dentista, como pelo reumatologista e oftalmologista para melhorar a qualidade de vida do paciente.
O cirurgião-dentista atuará para estimular a função das glândulas salivares e para prevenir danos maiores aos dentes, gengivas, mucosas bucais.

  • Tratamento para glândulas salivares que respondem a estimulação: diferentes métodos têm sido utilizados com o objetivo de estimular a oxigenação das glândulas salivares e melhorar a produção salivar nos pacientes, entre esses podemos mencionar:
    • Estimulação mastigatória: a mastigação constitui um estímulo normal e fisiológico para aumentar a salivação e as glândulas salivares são altamente reativas à ela. Recomenda-se ao paciente consumir alimentos consistentes numa freqüência maior
    • Estimulação gustatória: este estímulo será indicado para pacientes que não possuem irritações nos tecidos bucais, pois este poderá irritar mucosas desidratadas
    • Estimulação elétrica: a emissão de impulsos elétricos aumenta o reflexo fisiológico salivar e deverá ser aplicado em sessões consecutivas
    • Aplicação de laser terapêutico
    • Estimulação medicamentosa: prescrição de medicamentos homeopáticos ou alopáticos que atuam no sistema nervoso parassimpático estimulando o fluxo salivar
    • Mudanças de hábitos sociais e alimentares
  • Tratamento para glândulas que não respondem mais aos estímulos: o objetivo será amenizar o desconforto decorrente da desidratação bucal, evitar a descalcificação dentária e processos inflamatórios.

Condutas específicas para cada caso serão adotadas.

As orientações abaixo poderão ser seguidas por todos portadores de boca seca:

  • Beber água com freqüência no decorrer do dia. (no mínimo 2 litros)
  • Manter uma excelente higiene bucal
  • Restringir o consumo de açúcar para evitar a atuação dos ácidos sobre os
    dentes
  • Comidas muito condimentadas, salgadas e/ou secas deverão ser evitadas
  • Mascar chicletes sem açúcar por 10 minutos 3 vezes ao dia
  • Evitar o fumo, bebidas alcoólicas, refrigerantes cola, chá mate e café, pois eles aumentam a secura da boca
  • Usar umidificador para manter um nível de umidade do ar
  • Lavar as narinas com água mineral 4 vezes ao dia
  • Usar sempre um protetor labial ou batom com protetor solar
  • Reduzir o nível de estresse
  • Visitar o seu dentista, reumatologista e oftamologista, a cada 3 meses

 

 

Aviso Importante: O objetivo destas páginas Web é facilitar a comunicação de informações odontológicas. Em nenhuma circunstância elas devem substituir a atenção por parte de um profissional da saúde.