6. AGENTES QUÍMICOS

6. AGENTES QUÍMICOS

Os agentes químicos não apresentam todos a mesma capacidade para a destruição dos microrganismos de interesse médico, que incluem bactérias na forma vegetativa, vírus lipofílicos e hidrofílicos, fungos, Mycobacterium tuberculosis e esporos bacterianos. Conforme a gama de microrganismos que podem ser destruidos pelos agentes químicos, o processo é designado:

  • Esterilização química - é um processo de longa duração (de 8 a 18 horas) no qual se consegue a destruição de todas as formas de vida através do uso de agentes químicos designados como esterilizantes.

  • Desinfecção de alto nível - é um processo de curta duração (30 minutos), no qual se consegue a destruição de todas as formas de vida, exceto esporos, utilizando agente químico esterilizante.

  • Desinfecção de nível intermediário - é o processo no qual se consegue a destruição da maioria dos microrganismos, inclusive o bacilo da tuberculose, mas não todos os vírus, nem os esporos. O agente é designado desinfetante hospitalar tuberculocida.

  • Desinfecção de nível baixo - é o processo de destruição de poucos microrganismos.

6.1 - ESCOLHA DO AGENTE QUÍMICO

O agente químico deve ser escolhido conforme: 

  • a finalidade de uso; 

  • o atendimento aos critérios do agente ideal; 

  • o certificado do Ministério da Saúde.

Rótulos e instruções 

Os rótulos e instruções de uso deverão estar assim apresentados e conter as seguintes informações: 

  • em língua portuguesa; 

  • nomes e endereços do fabricante e do fornecedor; 

  • nome, sigla do Conselho Profissional e número de registro do Responsável Técnico pelo produto fabricado ou distribuído no Brasil; 

  • prazo de validade do produto; 

  • número de registro do produto na SVS/MS, que é composto de 11 dígitos.

O agente químico ideal deve: 

  • exibir amplo espectro de ação; 

  • agir rapidamente sobre todos os microrganismos; 

  • ser indiferente a agentes químicos e físicos; 

  • ser atóxico e inodoro; 

  • apresentar compatibilidade com as superfícies; 

  • ter efeito residual; 

  • ser fácil de usar e econômico.

Eficiência

Para que se consiga o melhor desempenho de um agente químico, é necessário respeitar: 

  • concentração de uso; 

  • tempo de ação; 

  • validade do produto.

Aplicações

  • Descontaminação, desinfecção e esterilização de artigos. 

  • Desinfecção de superfícies. 

  • Desinfecção de moldes e próteses. 

  • Desinfecção de reservatórios e dutos. 

  • Desinfecção de roupas.

Cuidados

  • Em função da toxicidade dos agentes químicos, que é tanto maior quanto mais eficiente ele for, sua manipulação deve ser feita utilizando o EPI (equipamento de proteção individual) adequado. 

  • Seu armazenamento deve ser feito em local arejado, fresco e ao abrigo da luz.

6.2 - ESTERILIZANTES QUÍMICOS

Entre os agentes químicos esterilizantes estão os aldeídos (glutaraldeído e formaldeído) e o óxido de etileno. Este último não está disponível nesta Faculdade.

GLUTARALDEÍDO

É um dialdeído, que pode se apresentar pronto para o uso. Em pH ácido, necessita ativação pelo bicarbonato de sódio, para exibir atividade esterilizante. O glutaraldeído ativado sofre polimerização em pH alcalino, inativando-se após 14 dias, quando seu pH for 8,5, ou após 28 dias, em pH 7,5.

Classificação

Esterilizante (8 a 10 horas) Desinfetante de alto nível (30 minutos)

Indicações

Esterilização de artigos críticos e semi-críticos termo-sensíveis; desinfecção de alto nível e descontaminação.

Vantagens

  • Penetra no sangue, pus e restos orgânicos. 

  • Não ataca material de borracha ou plástico. 

  • Pode ser corrosivo.

Desvantagens

  • Apresenta toxicidade cutânea, celular e inalatória. Libera vapores tóxicos, razão para se evitar o processamento de materiais em salas mal ventiladas, em recipientes sem tampa ou com vazamentos. Aconselha-se o uso de máscaras com camada de carvão ativado para diminuir o efeito tóxico, quando em manipulação freqüente. 

  • É alergênico. 

  • Não pode ser utilizado em superfícies. 

  • Sua atividade corrosiva aumenta com a diluição. 

  • Seu tempo de reutilização varia com a biocarga. 

  • Pode ser retido por materiais porosos, daí exigir enxagüe rigoroso, para evitar seus resíduos tóxicos.

Obs.: Apesar do formaldeído ser também um agente esterilizante, seus vapores irritantes, odor desagradável e comprovado potencial carcinogênico, não o recomendam, devendo, portanto, ser evitado.

6.3 - ETAPAS DA ESTERILIZAÇÃO QUÍMICA

  • Preparar o material deixando-o limpo e seco. 

  • Utilizar a solução de glutaraldeído em recipientes de plástico ou vidro, sempre tampados. Quando utilizar caixa metálica, proteger o fundo com compressa, evitando o contato com os artigos, a fim de evitar corrosão eletrolítica. 

  • Imergir totalmente os artigos na solução, deixando-os abertos, se articulados. 

  • Controlar o tempo de exposição. 

  • Enxaguar os artigos com água ou solução fisiológica estéreis, respeitando a técnica asséptica. Enxugar com panos esterilizados. 

  • Utilizar o material de imediato.

6.4 - DESVANTAGENS DA ESTERILIZAÇÃO QUÍMICA

  • O material não pode permanecer estéril, uma vez que é esterilizado não embalado. 

  • Não existe teste biológico para comprovar a esterilidade.

6.5 - DESINFETANTES DE NÍVEL INTERMEDIÁRIO

Os desinfetantes de nível intermediário utilizados na Faculdade de Odontologia de Bauru são o hipoclorito de sódio a 1%, os fenóis sintéticos e o álcool 77% (v/v) ou 70% (p/v).

HIPOCLORITO DE SÓDIO A 1% ESTABILIZADO COM CLORETO DE SÓDIO

Indicações

Desinfecção de instrumentos semi-críticos, superfícies, moldes, roupas e água.

Vantagens

  • Rápida ação antimicrobiana. 

  • Amplo espectro. 

  • Econômico. 

  • Efetivo em soluções diluídas.

Desvantagens

  • Esporicida, apenas em altas concentrações (5,25%). 

  • Não pode ser reutilizado. 

  • Deve ser preparado diariamente. 

  • Atividade diminuída pela presença de matéria orgânica. A perda de cloro devido a matéria orgânica pode ser significante, quando são empregadas mínimas quantidades de cloro. Maiores níveis de cloro, porém, tendem a produzir reserva de segurança para exercer a ação bactericida desejada. 

  • Odor desagradável persistente. 

  • Irritante para a pele e olhos. 

  • Corrói metais e estraga tecidos. 

  • Ataca plásticos e borrachas.

Diluições do hipoclorito de sódio

  • 1% - 10.000 ppm 

  • 0,5% - 5.000 ppm (partes iguais da solução a 1% e água) 

  • 0,05% - 500 ppm (1 parte da solução a 1% + 19 partes de água)

Aplicações das diluições

  • Superfícies fixas - 0,5 a 1% 

  • Artigos - 0,5 a 1% 

  • Moldes e Próteses - 0,5 a 1% 

  • Água do sistema "flush" - 0,05%

Cuidados com a solução

  • Para a desinfecção utilizar apenas recipientes de plástico ou vidro. 

  • A solução deve ser preparada diariamente. 

  • Armazenagem em ambiente fresco, ao abrigo da luz, em embalagens escuras e bem vedadas.

Obs.-O Ministério da Saúde contra-indica o uso da água sanitária para a desinfecção de materiais, pois sua concentração NÃO atende às diversas exigências de formulação para os desinfetantes hospitalares (SSSP/1993).

FENÓIS SINTÉTICOS

Indicações 

  • Descontaminação. 

  • Desinfecção de instrumentos semi-críticos e superfícies. 

  • Limpeza e desinfecção de paredes, pisos, superfícies fixas, em locais de alto risco.

Vantagens

  • Desinfetantes em imersão e em superfícies. 

  • Úteis em metais, vidros, borrachas e plásticos (ver: Cuidados). 

  • Menos tóxicos e corrosivos que o glutaraldeido.

Desvantagens

Preparo diário. Podem atacar vidros e plástico com a exposição prolongada. Irritantes para a pele e para os olhos.

Cuidados

  • Usar luvas para evitar o contato com a pele. 

  • Em caso de contato com a pele, lavar abundantemente com água e sabão. 

  • Em caso de contato com os olhos, lavar abundantemente com água e encaminhar ao médico. 

  • Os fenóis não são recomendados para artigos semi-críticos (látex, acrílico e borracha), devido ao seu efeito residual que impregna nos poros dos materiais, podendo causar irritação de mucosa e tecido, se não sofrerem um enxágüe adequado. Não são recomendados para artigos que entram em contato com alimentos nem para berçários devido à sua toxicidade.

Obs.- Quando utilizados na desinfecção de superfícies, por não serem voláteis, os fenóis sintéticos se depositam, devendo ser removidos com pano úmido, pois, ao reagir com a umidade, passam a exercer ação antimicrobiana residual.

ÁLCOOL 77% V/V OU 70% P/V

Indicações

  • Desinfecção de artigos e superfícies. 

    O álcool evapora rapidamente, assim sendo, os materiais devem ser friccionados na superfície, operação que deve ser repetida até completar o tempo de ação. Friccionar, deixar secar sozinho e repetir três vezes a aplicação, até completar o tempo de exposição de 10 minutos (MS/1994). Não é aconselhável imergir os materiais no álcool, devido à sua evaporação.

Vantagens

  • Rapidamente bactericida. 

  • Tuberculocida e viruscida para vírus lipofílico. 

  • Econômico. 

  • Ligeiramente irritante.

Desvantagens

  • Não é esporicida. 

  • Atividade diminuída em presença de biocarga. 

  • Atividade diminuída quando em concentração inferior a 60%. 

  • Ataca plásticos e borrachas. 

  • Evapora rapidamente das superfícies. 

  • É altamente inflamável.

Preparo

O preparo do álcool 77% (v/v) será feito na Disciplina de Microbiologia. Entregar 1 litro de álcool comercial na sala de esterilização nas segundas e terças-feiras pela manhã e retirar nas sextas-feiras pela manhã, com o sr. Osni.

Obs.: É fundamental observar a concentração do álcool. A presença da água favorece a penetração do álcool nos microrganismos e contribui para sua menor evaporação.